Imperativa

A exposição de retratos de Henri Cartier-Bresson que encontrei, por feliz acaso, em Évora, no Fórum Eugénio de Almeida [Rua Vasco da Gama, n.º 13]. Figurava, entre outros belíssimos retratos (Beckett, Ezra Pound ou Sartre) o meu retrato preferido de Truman Capote:

Fazer a mala

A determinada altura do filme "as good as it gets" Jack Nicholson gaba a mala bem feita de vizinho gay que tem por passatempo detestar. Pode ser gay observa com admiração, e em evidente conflito com a sua homofobia militante, mas sabe fazer uma mala. As meias apresentavam-se dobradas, as t-shirts engomadas, os cintos cuidadosamente enrolados, os calções convivendo respeitosamente com outros calções, tudo num espaço rectangular onde reinava a harmonia. Sempre que tenho de fazer uma mala para mais de uma semana lembro-me da mala perfeita do Greg Kinnear. Fazer bem uma mala implica várias coisas. Desde logo, não levar coisas em excesso. E, claro, dobrar. Dobrar sempre. Categorizar e organizar sempre. Jamais arrumarei uma mala impecável, pela mesma razão que nunca terei os meus cds arrumados por ordem de género ou até alfabética, a minha secretária sem um único papel supérfluo, a minha mesa de cabeceira sem livros empilhados, ou o meu quarto sem jornais de há três dias. Não sou esse tipo de pessoa.

Por associação


A dificuldade em escrever lembra-me o Inadaptado do Kaufman. Sempre gostei de orquídeas. Há orquídeas a mais naquele filme. Meryl Streep, por outro lado, nunca é demais. Há qualquer coisa de profundamente perturbador no olhar do Nick Cage. Lembra-me Coppola. Fez filmes com ele, andou no liceu com os filhos dele. Coppola lembra-me Sofia. Sofia lembra-me Bill Murray. Que me lembra Seu Jorge a cantar as músicas do David Bowie em inglês traduzido e tom mais que perfeito. Owen Wilson. Provavelmente o loiro mais feio da história de Hollywood. The Royal Tennenbauns. Bill Murray lembra-me Cousteau e Angélica Houston. A família Adams. Christina Ricci no Monster. A má da fita era ela. Alienish look testa gigantesca. Beleza, contudo, indiscutível. Cristina Riccie lembra-me aquele filme do Woody Allen que não é o melhor de todos com aquele rapaz que deu um uso original às tartes. Annie Hall. Psicanálise. Freud. Sexo. E a cidade. Mr. Big. Afinal, era um John qualquer.

Mozart, Joyce e sodomia

(Annie Hall, de Woody Allen)

de profundis amamus

Ontem
às onze
fumaste um cigarro
encontrei-te sentado
ficámos para perder
todos os teus eléctricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria

Andámos
dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros

Olha
como só tu sabes olhar
a rua os costumes
O público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso

Não faz mal
abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados maravilhosos únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso

Mário Cesariny, Pena Capital.

Lugares comuns

"Uma noite, porém, a intensidade que ensina entrou no sonho. Viu-se num mosteiro, submisso. Imitava até ao ponto de repetir o gesto de levantar o dedo indicador da mão direita, exactamente como customava fazer o mestre. No sonho, o mestre perguntou - por que levantas o dedo indicador? E ele, depois de repetir o gesto, respondeu: porque quero aprender consigo. O momento que ensina como um professor veio depois. Uma nova pergunta foi feita e no momento em que Elia levantava o indicador repetindo o gesto ritual do mestre, este, com uma lâmina, cortou-o. Logo de seguida, veio a pergunta: tens dores? E foi ao tentar levantar o dedo indicador e ao ver que tal não era possível, pois que este já não existia, que Elia de Mircea percebeu, de modo explicito, que aquele gesto não era seu e, por isso mesmo, não era digno. Acordou, mas com sangue. Olhou para a mão direita e viu que o seu dedo indicador fora mesmo cortado. Sonhos de tanta importância que atravessam a parede. Tornam-se reais, consequentes. Foi o dia da mudança."

Excerto de a história de elia de Mircea, uma das "Histórias Falsas" de Gonçalo M. Tavares (Ed. Campo da Literatura)
Em "A Moral do Vento, Ensaio sobre o corpo em Gonçalo M. Tavares" (Ed. Caminho), o autor do ensaio , Pedro Eiras, lembra Freud e a amputação feita castração no plano onírico. Se para Freud a amputação sonhada equivalia sempre a castração, ali onde era dedo dever-se-ia ler pénis. O dedo de Elia de Mircea (assim nomeado naquela história falsa, mascarando o nome verdadeiro do historiador, filósofo e teólogo romeno Mircea Eliade) teria sido cortado para que no seu lugar crescesse um órgão verdadeiro. O mestre será, assim, uma prótese da qual o discipulo, uma vez terminados os ensinamentos, se liberta.
Sobre escrever, e, em particular, sobre escrever poesia, li, algures no infinito virtual sem que tivesse memorizado o sítio, o conselho de um professor aos seus alunos. Aconselhava, peremptório, que se evitassem palavras como amor, tristeza, raiva, dor. No fundo, os lugares comuns. Explicava que a palavra amor, num bom poema, deve ser substituída por uma metáfora capaz e original, que evoque os cinco sentidos e os deixe viajar através das linhas. Viajar através das linhas, apercebo-me enquanto escrevo, terá qualquer coisa de metafórico, mas não lhe reputo capacidade e originalidade. Será difícil, concluía o professor, mesmo para quem trabalhe (com) as palavras há largos anos. Pensar que todos os poemas falam de amor é como pensar que todos os poetas estão mortos porque hoje já ninguém escreve poesia. Mas a poesia não está morta. Queria eu dizer com isto que tal como Elia de Mircea ficou sem o dedo para que pudesse filosofar de forma original, (ou pensar por si), também os poetas, antes de mais, se se querem capazes e originais, devem amputar, pelo menos inicialmente, a palavra amor, aqui feita prótese, e evitar o lugar comum de estarem mortos.

Sing Me Spanish Techno

Sing me Spanisch Techno, The New Pornographers, do excelente álbum Twin Cinema.

Cepticismos

Manter um ar sério enquanto nos fazem, solicita e simpaticamente, um mapa astral que não pedimos e que nos revela que a posição de Vénus denota algum apego ao conforto material, que Mercúrio poderá ser indício de futuros problemas intestinais e que tudo leva a crer que, em face da posição de Plutão, houve uma relação íntima com o poder numa vida passada.

"A smirking devil annoys me in beautiful English"

First things First, de W.H.Auden, declamado pelo próprio, aqui.


"Entrou com o seu passo discreto numa livraria veloz e perguntou: têm poesia? Não, respondeu o livreiro, e Auden teve de entrar numa outra livraria um pouco mais lenta.

Auden, cansado de procurar, sentou-se num banco de jardim onde alguém esquecera um livro. Era de Yeats, um poeta lento, que já havia morrido. Pensando nos seus dois olhos, nos seus dois ouvidos e no seu coração um, Auden murmurou: todos os meus cinco instrumentos concordam: eis um poeta que faz deste dia um dia alegre.

E toda a tarde o coração não largou os olhos de um livro que se abria como uma porta familiar."



De Gonçalo M. Tavares, entrada de W.H. Auden no sublime "Biblioteca" (Ed. Campo da Literatura)

idolatrias (ii)

Gosto dos “meus” escritores em pedestais. Não me interessa conhecê-los profundamente ou buscar a preciosidade autógrafa na obra feita e comprada. Não me preocupa perscrutar personalidades e descobrir vícios e manias inconfessáveis. A criatura mais defeituosa pode produzir a mais extraordinária das prosas. E isso sempre será absolutamente irrelevante.
Não me demovem, assim, os pedestais derrubados, e por isso mesmo situo a minha experiência de leitura de "Intellectuals" de Paul Johnson (que comprei de um ímpeto, sem saber exactamente ao que ia, embora me fique a lição para jamais comprar um outro livro de um Tory sem me inteirar devidamente) num voyeurismo incómodo e algo constrangedor.
Russel, Sartre, Rousseau, Ibsen, Hemingway e outros são escrutinados atendendo a extraordinários critérios, como sejam o número de mulheres com quem dormiram (Russel e Sartre), mau feitio (Rousseau), vícios (o alcoolismo de Hemingway), manias (Ibsen é especialmente ridicularizado pela sua obsessão com condecorações), má gestão das finanças pessoais (Marx e Shelley), tudo em face de uma exigência de absoluta (e nunca menos do que absoluta) correspondência entre a vida privada e a obra feita. A coerência deve ser total, porque tudo pode ser posto em causa e a qualquer pretexto. Sobre Simone de Beauvoir diz-se a dada altura, referindo-se à relação, alegadamente de subserviência emocional e intelectual, que esta manteve com Sartre, já que as mulheres neste livro só uma vez merecem capítulo autónomo, sendo nos restantes casos referidas relacionalmente e quase sempre para efeitos de prova da promiscuidade dos intelectuais visados: "in her own life she betrayed everything it [o feminismo] stood for"(pág. 236). Deste regurgitar moralista de quase quatrocentas páginas não retirei nada mais do alguns momentos de voyeurismo quase tablóide.
Um desfile de horrores. À lupa, nada parece, nem poderia parecer, impoluto.
"Johnson has made a career as an especially bilious and persecuting moralizer. His disgraceful book "Intellectuals," a foul-minded assault on the Enlightenment, laid a feverish stress on the private lives of secular and rationalist intellectuals. Rousseau was not only "vain, egotistical and quarrelsome," but he "enjoyed being spanked on his bare bottom." Ibsen "would not expose his sexual organ even for the purpose of medical examination. Was there something wrong with it -- or did he think there was?" I don't need to draw you a picture: With sermonizers like this it's just a matter of setting one's watch. Give it just a little time and -- presto! We open the tabloids to see their withered haunches bared to the slipper, and the haggard remnants of their Johnsons exposed to the cruel light of day. (Oxford English Dictionary: Johnson. A common surname, used in low slang to designate: a)The penis. b) A man who is kept by a prostitute or prostitutes; a ponce.)"
Christopher Hitchens, na Salon

Idolatrias (i)

Em conversa com um confessado detractor da filmografia de Woody Allen, comentei que não gostava que me lembrassem, porque não gosto de ver as minhas adorações perturbadas, do incidente com a filha adoptiva. Como se qualificar como incidente o que, por imposição da axiologia pessoal, reputo muito perto do amoral (e, do mesmo passo, questiono a minha legitimidade para o fazer), fizesse daquilo coisa menor e me deixasse livre para pensar na obra maior. Ocorrem-me então as acusações de pederasta e pornógrafo de que foi “vítima” Egon Schiele. Schiele que, note-se, era um homem invulgarmente bonito e se via permanentemente desfigurado, como sugerem vários dos seus auto-retratos. Aqui, como no retrato "da verdade" que idealizou Oscar Wilde para Dorian Gray, reina a desconformidade e, talvez, a deformidade. Por mais que me tente convencer que um dos meus pintores preferidos foi um incompreendido à época, não fazendo mais do que usar algumas jovens indigentes como modelos, alguma coisa, olhando para os seus quadros, me faz pensar em Allen e adorações que não se querem perturbadas.


Auto-retrato de Egon Schiele


In their leanness, Schiele's figures might be said to resemble those of Picasso's Blue Period. But Picasso's figures are gaunt because they are poor and needy, whereas Schiele's have no thought for eating, as their only hunger is for sex. They are like illustrations of a thesis of Sigmund Freud, Schiele's fellow Viennese, that human reality is essentially sexual. What I mean to say is that there is no art-historical explanation of Schiele's vision. Expressionism was certainly in the air in Mitteleuropa in those years. But his drawings look like nothing one would see by artists who belong to movements like Die Brücke ("The Bridge") or Der Blaue Reiter ("The Blue Rider"). The German Expressionists used heavy black outlines and were inspired by a vision of primitivism. My own view, hardly inspired, is that Schiele expressed what Freud describes in his central thesis about human nature and conduct--that from infancy on, sex relentlessly holds us in its grip.”

Live Flesh, Arthur C. Danto, “The Nation”.

E se um hippie logo pela manhã

Ar ensonado, cabelos meticulosamente despenteados, chinelos escolhidos a dedo para dedos cuidados, um saco de ar artesanal e velho comprado por certo numa loja trendy urbana, pulseiras de couro. Sem erros. Fashionably sensitive but to cool to care. Trajava de artefactos capitalistas. Para certos efeitos, os únicos hippies que me interessam são os falsificados.

Matar o anjo

Man must be pleased;
but him to please
Is woman's pleasure;
down the gulf
Of his condoled necessities
She casts her best, she flings herself.
How often flings for nought, and yokes
Her heart to an icicle or whim,
Whose each impatient word provokes
Another, not from her, but him;
While she, too gentle even to force
His penitence by kind replies,
Waits by, expecting his remorse,
With pardon in her pitying eyes;
And if he once, by shame oppress'd,
A comfortable word confers,
She leans and weeps against his breast,
And seems to think the sin was hers;
Or any eye to see her charms,
At any time, she's still his wife,
Dearly devoted to his arms;
She loves with love that cannot tire;
And when, ah woe, she loves alone,
Through passionate duty love springs higher,
As grass grows taller round a stone.
Excerto do Poema "Angel in the house" de Coventry Patmore (1823-1896)
"E quando estava a escrever esta crítica, descobri que se quisesse dedicar-me à crítica literária, teria de lutar contra um certo fantasma. O fantasma era uma mulher, e quando comecei a conhecê-la melhor, chamei-lhe, segundo a heroína de um famoso poema, O Anjo na Casa. Era ela que se vinha entrepor entre o mim e o papel quando eu estava a escrever as críticas. Era ela que me incomodava e me fazia perder tempo, e tanto me atormentava, que acabei por a matar."


Virginia Woolf, Professions for Women

Androcentrismo: tópicos para uma definição

Ir cedo demais. Chegar cedo demais.

Grandes canadianos

Arcade fire

Grandes canadianos

Broken social scene

Grandes canadianos

Great Lake Swimmers

Os Amantes sem Dinheiro

Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.


Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados,
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.


Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.


Eugénio de Andrade

cinema sem cinema (os amantes regulares)



Ver cinema em casa é poder intervalar arbitrariamente, recuar e recuperar um pormenor, congelar uma imagem e capturar um momento. É poder gerir filmes longos. É poder dividir os 178 minutos destes Amantes Regulares (de Philippe Garrel, com Louis Garrel – cfr. Dans Paris) ao meio. De um lado, os planos estáticos estendidos por generosos minutos sobre os estudantes, as barricadas e os molotovs do Maio de 68 testemunhado por Garrel e feito tanto de idealismos e revoltas justíssimas como de mentes vazias e parasitas vivenciais. [pausa para cigarro] E, do outro, depois do filme cortado a eito, os amantes regulares, e derrotados tal como o viria a ser o próprio Maio de 68, propriamente ditos: François e Lillie.

"I think my film somehow resembles Stendhal’s novel, The Charterhouse of Parma , in which the two Romantic heroes occasionally leave their story by crossing history. No, I have a different dialectic: For me, history is the enemy of art. Usually when artists touch history, they are always prisoners of time, because every time is ruled by history. But it’s impossible to recreate history itself. Cinema is what we have learned to mistake for history, but cinema is only mise en scène. For instance, we think we teach students about the history of Napoleon Bonaparte, but what we really teach them is Abel Gance’s very romanticized movie about Napoleon. When we think about the revolution of 1917, we immediately think of Eisenstein’s Potemkin (1925). Even newsreels from World War II have turned out to be fiction, manufactured by directors after the war. I believe that cinema is an integral part of history itself, also in its symbolic function. Cinema is by now a part of our memory. It is an attempt to rebuild our imperfect memories. In that respect it can be fiction. I do not think art represents history, I think it is a part of it. Even if it’s fake and mythological sometimes. "


O realizador (francês), sobre o filme, numa curiosa entrevista (em inglês) aqui, onde relata, entre outras coisas como o filme foi e, segundo o próprio só poderia, financiado com dinheiro da "esquerda"...

Repulsa, caos e desobediência

A boa repulsa
David Cronenberg realizou a Mosca. Citação cinematográfica da Metamorfose de Kafka mas ainda mais nojento. Quando Geena Davis chega ao laboratório e Goldblum pavoneia a recém-adquirida natureza passeando pelo tecto, é possível evocar na perfeição a passagem da Metarmofose em que Gregor descobre que a sua deformidade lhe permite passear pelo tecto do quarto onde se viu forçado a esconder-se. Um filme nojento não é necessariamente mau. É um filme que, embora provoque um sentimento que se situa vulgarmente na categoria dos grosseiros, tendo o potencial para provocar repulsa, tem aí, enquanto exercício artistíco, a sua finalidade. As cicatrizes e ferros nas pernas de Patricia Arquette forçando a entrada num carro de luxo no "Crash" possuem a mesma qualidade repulsiva. Quando o personagem de Goldblum se vai desintegrando e deixando cair pedaços de orelha e dentes que colecciona como troféus da sua humanidade perdida, mesmo os estômagos mais insensíveis se ressentem. A repulsa nem sempre é má.

O bom caos
Jeff Goldblum tem um dom. O de imprimir a todas as banalidades em que se mete uma nota de credibilidade. Ainda que não tenha lido um único livro dito científico em toda a sua vida, tem uma expressão de credibilidade científica à mistura com uma irresístivel irreverência que o tornam ideal para encarnar o génio porreiraço. Simplisticamente, tem um ar inteligente. Qualquer coisa parecida com o cool geek dos Kings of Convenience. Facto é que as únicas cenas realmente suportáveis do Jurassic Park eram aquelas em que ele falava da teoria do caos e do efeito do bater das asas da borboleta em Pequim, e, em jeito de flirt, deixava as gotas de água escorregar pela mão da Laura Dern para lhe provar que elas tomariam sempre um sentido diferente mesmo que partindo do mesmo ponto. A imprevisibilidade como consequência das imperfeições. O caos nem sempre é mau.

A boa desobediência
Kafka pediu ao seu testamentário, pouco antes de morrer, que queimasse todos os seus manuscristos. Considerando que boa parte das suas obras são póstumas, beneficiou ele, e beneficiámos nós, da desobediência. A desobediência nem sempre é má.

Ruas sem saída