"Entrou com o seu passo discreto numa livraria veloz e perguntou: têm poesia? Não, respondeu o livreiro, e Auden teve de entrar numa outra livraria um pouco mais lenta.
Auden, cansado de procurar, sentou-se num banco de jardim onde alguém esquecera um livro. Era de Yeats, um poeta lento, que já havia morrido. Pensando nos seus dois olhos, nos seus dois ouvidos e no seu coração um, Auden murmurou: todos os meus cinco instrumentos concordam: eis um poeta que faz deste dia um dia alegre.
E toda a tarde o coração não largou os olhos de um livro que se abria como uma porta familiar."
De Gonçalo M. Tavares, entrada de W.H. Auden no sublime "Biblioteca" (Ed. Campo da Literatura)