Animismos: Olympia e Remington

Olympia escrevia, diziam, desmesuradamente. A isso, Remington respondia com pouco ou nada. Olympia revelava muito, ou, pelo menos, tudo quanto em tempos convencionou poder revelar, em muitas linhas, palavras, alguns parêntesis ou reticências e mesmo, em dias mais destemidos, uma ou outra figura de estilo. Remington reservava-lhe cinco minutos e duas frases com pouco mais que sujeito e predicado. Olympia desesperava por um complemento circunstancial, uma exclamação entusiasta ou uma reticência profunda. Um dia, Olympia fartou-se. Partiu, carregou a sintaxe, o hipérbato, as sinestesias e levou a métrica cuidada para um melhor interlocutor.

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Ruas sem saída